No dia de Santa Inês, 21 de janeiro, o Papa Bento XVI abençoou dois cordeirinhos a ele apresentados na Capela Urbano VIII, do Palácio Apostólico. A lã desses carneiros será usada para a tecelagem dos pálios sagrados, vestes de lã branca decoradas com seis cruzes pretas, mantidas em uma urna na Confissão de São Pedro e impostas pelo Papa todos os anos, no dia 29 de junho, sobre novos arcebispos metropolitanos, durante a Missa solene de São Pedro e São Paulo.

Os cordeiros são tradicionalmente criados pelas religiosas do convento romano de São Lourenço, em Panisperna, e são oferecidos ao Papa pelos Cônegos Regulares de Latrão no dia da memória litúrgica de Santa Inês, mártir romana, que na iconografia tradicional é muitas vezes representada com um cordeirinho nos braços.

Quem foi santa Inês?

Santa Inês é, sem dúvida, a mais famosa de todas as virgens e mártires dos primeiros tempos do cristianismo. Viveu por volta de 304-306. Sua lembrança e seu culto nunca foram interrompidos. Na idade de treze anos, recebeu uma proposta de casamento por parte do filho do prefeito de Roma, apaixonado pela sua beleza. Inês pertencia à nobreza romana. Mas era, acima de tudo, cristã. E queria dar a Cristo todos os seus dons, juntamente com a vida.

Conta a história que, por vingança, ela foi condenada à fogueira. E o povo acrescenta que o fogo não tocou nem mesmo os seus longos e belos cabelos. Decidiram, então os algozes, decepar-lhe a cabeça. Só então ela morreu e passou definitivamente para a verdadeira Vida, com Cristo, no Reino do Pai.

O Papa São Dâmaso escreveu sobre Santa Inês, exaltando-lhe as virtudes e propondo-a como modelo para as jovens cristãs de todos tempos.
O Evangelho, bem o sabemos, leva os jovens a fazerem a sua grande opção. Tudo receberam de Deus! Tudo a Deus podem dar!

No seu discurso durante o encontro com a comunidade do Colégio Almo Capranica de Roma, no dia 21 de janeiro, passado, disse o Papa Bento XVI sobre esta santa: "Santa Inês é uma das mais famosas virgens romanas, que ilustrou a beleza genuína da fé em Cristo e da amizade com Ele. Seu duplo status de Virgem e Mártir está ligado à totalidade do tamanho de santidade.

Trata-se de uma perfeição de santidade que é necessária também a vocês em vossa fé cristã e em especial à vossa vocação sacerdotal, com a qual o Senhor vos chamou e a vós em Si.

Martírio - para Santa Inês - quis dizer a generosidade e a livre aceitação de gastar sua jovem vida, em sua totalidade e sem reservar, a fim que o Evangelho fosse anunciado como verdade e beleza que ilumina a existência.

No martírio de Inês, acolhido com coragem no estádio de Domiciano, esplende para sempre a beleza de pertencer a Cristo sem hesitação, confiando-se a Ele. Ainda hoje, para quem passa na Piazza Navona, a efígie de Santa Inês em Agonia recorda que esta nossa cidade foi fundada também sobre a amizade com Cristo e o testemunho do Seu Evangelho, por muitos de Seus filhos e filhas. Sua generosa doação a Ele e para o bem dos irmãos é um componente primário da fisionomia espiritual de Roma.

No martírio, Inês sela também outro elemento decisivo de sua vida, a virgindade por Cristo e pela Igreja. A doação total do martírio é preparada, de fato, pela escolha consciente, livre e madura da virgindade, testemunho da vontade de ser totalmente de Cristo. Se o martírio é um ato heróico final, a virgindade é fruto de uma prolongada amizade com Jesus amadurecida na escuta constante de Sua Palavra, no diálogo da oração e no encontro eucarístico.

Inês, ainda jovem, aprendeu que ser discípulo do Senhor quer dizer amar-Lo colocando em jogo toda a existência. Esta dupla qualidade - Virgem e Mártir - chama novamente a nossa reflexão para um testemunho com credibilidade da fé de ser uma pessoa que vive por Cristo, com Cristo e em Cristo, transformando a própria vida segundo as exigências mais altas da gratuidade".

O nome Inês, vem da palavra latina "Agnes", que quer dizer cordeiro.

 

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